terça-feira, 17 de julho de 2007

Tom sobre Vinicius

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O "UM TOM A MAIS" DE HOJE É PARA FALAR SOBRE VINICIUS DE MORAES E TOM JOBIM. OU MELHOR, TOM JOBIM É QUEM FALARÁ SOBRE VINICIUS DE MORAES. EM ALGUMA ENTREVISTA, O RELATO DO TOM:

"CONHECI O VINICIUS MAIS OU MENOS EM 53, MAIS DE OBAS E OLÁS. EM NOVEMBRO DE 1956, COMEÇAMOS A PARCERIA. A VERDADEIRA APRESENTAÇÃO AO VINICIUS FOI FEITA PELO LÚCIO RANGEL. FOI AÍ QUE COMEÇAMOS O TRABALHO NO "ORFEU DA CONCEIÇÃO". MINHA CONHECÊNCIA COM VINICIUS DE MORAES FOI UMA COISA LIGEIRA. OS AMIGOS DO VINICIUS ERAM BEM MAIS VELHOS DO QUE EU, MAIS VELHOS QUE O VINICIUS. NÓS TÍNHAMOS UMA DIFERENÇA DE 14 ANOS, MAS O VINICIUS TINHA AMIGOS MAIS VELHOS AINDA QUE ELE, COMO DI CAVALCANTI, E TINHA AQUELA TURMA DA IDADE DELE, COMO O GUIMARÃES ROSA. O VINICIUS FEZ A LETRA DO "CHEGA DE SAUDADE" DO MEU LADO. ELE NÃO GOSTAVA DE TRABALHAR SOZINHO. PREFERIA TRABALHAR AO LADO DO PIANO. O CHICO PREFERIA QUE EU MANDASSE A MÚSICA PARA ELE. NO CASO DO VINICIUS, ELE TAMBÉM TOCAVA UM VIOLÃOZINHO E FAZIA MÚSICAS MUITO BOAS. "VALSA DE EURÍDICE", "MEDO DE AMAR", "SERENATA DO ADEUS", TUDO ISSO É MÚSICA E LETRA DE VINICIUS. EU SIMPLESMENTE ORQUESTREI COMO ESTÁ LÁ NOS DISCOS. BOTEI UMA COISINHA OU OUTRA, UMAS CORDINHAS TAMBÉM. A ECONOMIA NÃO DEIXAVA A GENTE TRABALHAR COM MAIS DE QUATRO VIOLINOS, ÀS VEZES NEM ISSO. A CONVIVÊNCIA COM O VINICIUS FOI MARAVILHOSA. AQUELA AMIZADE, A GENTE RIA, A GENTE SAÍA, COMIA UMAS COISINHAS, COMIDINHA DE BÊBADO, COMO DIZIA ELE. UNS CAMARÕEZINHOS E AQUELE UÍSQUE TODO. ANTES DE ME CONHECER, ELE BEBIA CHOPE NO ALCAZAR. DEPOIS, COM A IDA PARA O ITAMARATY, FOI LEVANDO A VIDA NO UÍSQUE. VINICIUS ME LEVOU PARA AQUELAS CASAS BONITAS DO COSME VELHO, AQUELAS MULHERES BONITAS, CHEIROSAS. ELE CONHECIA A ALTA SOCIEDADE DO RIO, ESSE PESSOAL TRADICIONAL.

NORMALMENTE, A GENTE COMEÇAVA A COMPOR DE TARDE, NÓS ESTÁVAMOS AINDA NA BASE DO CAFÉ, MAS VINICIUS DE MORAES NÃO GOSTAVA MUITO DE CAFÉ. CONFORME A TARDE COMEÇAVA A CAIR, A GENTE IA FAZENDO A MÚSICA, TOMAVA UM CAFEZINHO, OS DOIS FUMÁVAMOS AQUELES CIGARROS TODOS, TRAGANDO AQUELA FUMAÇA, NO APARTAMENTO DA RUA NASCIMENTO E SILVA, 107. ÀS QUATRO E MEIA, COMEÇAVA A CERVEJA. VINICIUS, AO CONTRÁRIO DO QUE ESSE PESSOAL TODO DIZ, TOMOU MUITO CHOPE. TENHO FOTOGRAFIAS DELE TOMANDO CHOPE".


AINDA FALAREMOS BASTANTE DESSA PARCERIA, QUE PARA MUITOS, É A PRINCIPAL EM TODA HISTÓRIA DA MÚSICA BRASILEIRA.

PARA CELEBRAR, O "UM TOM A MAIS" DE HOJE É COM A MÚSICA "CANTA, CANTA MAIS". DE 1959. NA GRAVAÇÃO DE 1987 COM A "BANDA NOVA" PARA O DISCO "TOM JOBIM INÉDITO".

PARCERIA DO TOM E DO VINICIUS POUCO TOCADA, MAS MUITO BONITA.



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Trem de Ferro

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O “Um Tom a mais” de hoje é uma homenagem ao poeta Manuel Bandeira. E ao veículo de locomoção retratado no seguinte poema:

café com pão
café com pão
café com pão
virge maria que foi isso maquinista?
agora sim
café com pão
agora sim
voa, fumaça
corre, cerca
ai seu foguista
bota fogo
na fornalha
que eu preciso
muita força
muita força
muita força
trem de ferro
trem de ferro
oô...
foge, bicho
foge povo
passa ponte
passa poste
passa pasto
passa boi
passa boiada
passa galho
de ingazeira
debruçada
no riacho
que vontade
de cantar!
oô...
café com pão
é muito bom
quando me prendero
no canaviá
cada pé de cana
era um oficiá
oô...
menina bonita
do vestido verde
me dá tua boca
pra matá minha sede
oô...
vou m'imbora
vou m'imbora
não gosto daqui
nasci no sertão
sou de ouricuri
oô...
vou depressa
vou correndo
vou na toda
que só (levo)
pouca gente
pouca gente
pouca gente...
trem de ferro
trem de ferro

Aproveito para resgatar um texto, uma análise feita pelo professor Pasquale Cipro Neto para o poema:

“Trata-se do poema, do genial poema, do antológico poema, do memorável poema "Trem de Ferro", do Manuel Bandeira. Poema que tem por si só toda a sonoridade de um trem, de um trem de ferro, trem diretamente ligado à história do Brasil, à história do interior do Brasil, o Brasil que, por incrível que pareça, já andou de trem. Do Brasil que depois genialmente, entre aspas esse genialmente, descobriu que o trem não presta. Que o ideal é andar de ônibus, andar de caminhão; Então num país continental como este, nós carregamos mercadoria em Porto Alegre e mandamos para Fortaleza num caminhão; Lá vai o caminhão andando quatro mil quilômetros, um cidadão coitado sozinho, não é, nesse interiorzão do Brasil por estradas maravilhosas, nenhum buraco, nada, tudo maravilhoso, de primeira, lá
Vai o cidadão gastando energia, gastando pneu, gastando tudo, para carregar trinta toneladas, quando um trem sozinho, só, só um vagão, não é, leva oitenta, noventa, cem toneladas, imaginem quanto não leva um trem desses de carga; O Brasil já andou de trem, não só na base da carga, os passageiros também. O trem está diretamente ligado à história do Brasil, especialmente à história do interior do Brasil. Os nossos avós andaram de trem, os nossos pais andaram de trem e o trem foi cantado em prosa e verso”.

A música do “Um Tom a mais de hoje” é “Trem de ferro”, que Tom Jobim musicou em 1986 para o disco “Antonio Brasileiro”.



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Um chamado João

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"João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinhaa quinta face das coisas,
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?
Vegetal ele era ou passarinho
sob a robusta ossatura com
boi risonho?

Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,
ciranda multívoca?
João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada?
Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bolso,
cada qual com a cor de suas águas?
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gota redigia nome,
curva, fim,
e no destinado geral
seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus novos?

Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
e precipites prodígios acudindo
a chamado geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos poderes, das
supostas fórmulas
de abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?
Por que João sorria
se lhe perguntavam
que mistério é esse?

E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?
Tinha parte com... (não sei
o nome) ou ele mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sobre
que se arcabuzeiam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?

Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar."

Carlos Drummond de Andrade - 22/11/1967
Poema publicado no jornal “Correio da Manhã”, três dias após a morte de João Guimarães Rosa.

Em 1973 Tom fez a sua música mais Guimarães Rosa. Matita perê foi usada originalmente como tema principal da trilha sonora do filme 'Sagarana - o duelo', de Paulo Thiago, baseado no conto 'O Duelo' do livro 'Sagarana', de Guimarães Rosa. O filme é de 1973, e dele participam os atores Milton Moraes, Joel Barcellos, Itala Nandi, Jofre Soares, Sadi Cabral, Wilson Grey, e Paulo Cesar Pereio.

Matita perê é música do Tom, com letra do Tom e Paulo César Pinheiro. É obra-prima ao estilo Guimarães Rosa. Apesar de ser uma música já feita, com uma letra já conhecida, é uma obra que parece que sempre ouvimos pela primeira vez. E cada vez mais se torna grandiosa. É para ouvir e deixar-se ser levado.



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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Tom foi ver Sinatra

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“Escuta aqui gente, como é que o Sinatra vai se interessar em gravar uma música com uma letra dessas?”

O tom era de brincadeira, mas a preocupação mais do que séria. E enquanto esteve nos Estados Unidos durante a sua primeira passagem, Tom Jobim dedicou-se a fazer com que suas canções em inglês mantivessem a mesma beleza de quando cantadas em português.

A alusão ao Sinatra tornou-se realidade em 1966. Como relata Helena Jobim, na página 140 do seu livro “Um Homem Iluminado”:

“No bar Veloso, de tardinha, o telefone toca. Chamam Tom. Avisam que é um homem falando em inglês. Tom vai ao telefone. É Frank Sinatra. Explica que tinha telefonado para sua casa e de lá haviam lhe dado esse número. Convida Tom para gravar um disco, se tivesse agora disponibilidade de tempo. Emocionado, Tom responde que estava mesmo para ir a Los Angeles: ‘Seu chamado é uma ordem’. Marcam datas, despesas por conta de Sinatra”.

“Quando voltou à mesa e disse que tinha acabado de falar com Frank Sinatra, ninguém acreditou. Pensaram que era brincadeira. Depois foi um alvoroço. Nunca uma pessoa tão importante tinha ligado para lá. Um bar simples, que aos poucos se tornava famoso com a presença constante de Tom”.
Em razão disso, no dia 31 de agosto de 1966, o jornalista Eli Halfoun publicou a seguinte matéria:



NA COMPANHIA DA ESPOSA, TEREZA, LEVANDO UM VIOLÃO E “A SINFONIA DA ALVORADA”, SOBRE BRASÍLIA, VIAJOU ONTEM, DE MANHÃ, PARA OS ESTADOS UNIDOS O COMPOSITOR BRASILEIRO ANTONIO CARLOS JOBIM, A CHAMADO DE FRANK SINATRA, “O ÚNICO CAPAZ DE ME TIRAR DO MEU AMADO SOSSEGO, NO RIO, AGORA”, CONFORME DESABAFOU O AUTOR DE “GAROTA DE IPANEMA”, MOMENTOS ANTES DO EMBARQUE.

PAGANDO EM CHEQUE AS PASSAGENS, ANTONIO CARLOS JOBIM CONFESSOU QUE “FOI APANHADO DE SURPRESA” COM O TELEGRAMA DE SINATRA, SOLICITANDO SUA PRESENÇA NOS ESTADOS UNIDOS, “O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL, MAS SEM DAR DETALHES DO QUE PRETENDE”. TOM ACREDITA QUE ELE ESTEJA INTERESSADO EM SUAS MÚSICAS, MAS ISSO SÓ VAI SABER QUANDO CONVERSAR COM SINATRA.

O COMPOSITOR ADMITIU QUE “ESTAVA DESCANSANDO, SEM NENHUM PLANO DE TRABALHO PARA TÃO CEDO, NENHUMA MÚSICA OU PROJETO EM ESTUDO”, DE MODO QUE IA A ESTA VIAGEM MAIS OU MENOS ÀS CEGAS.

“É DURO ABANDONAR O RIO NESTA ÉPOCA, COM UM MEIO INVERNO E MEIA PRIMAVERA, AS PESCARIAS E O CHOPE COM OS AMIGOS, SEM PREOCUPAÇÕES. MAS NÃO POSSO DEIXAR ESTA OPORTUNIDADE FUGIR”, DISSE TOM. QUE SE ENCONTRARÁ COM SINATRA EM LOS ANGELES E NÃ PRETENDE DEMORAR-SE MAIS QUE DOIS MESES NOS ESTADOS UNIDOS: “ASSIM QUE TERMINAR ESTE NEGÓCIO VOLTO PARA ONDE ESTAVA”.



Sem tempos para ensaios fica decidido que Sinatra só cantará os clássicos. E Tom tocará violão. Em 1967 o disco “Francis Albert Sinatra and Antonio Carlos Jobim” explode nas vendas. Com o sucesso, em 1969, Sinatra gravará outro disco com Tom.

No último outubro da sua vida, Tom grava sua última música. E é para Sinatra. A introdução de “Fly me to the moon”, que iremos ouvir no “Um Tom a mais de hoje”, segundo o Tom, foi gravada sob as piores condições de sua vida. Ele fez tudo de improviso mesmo, pois não conseguia passar nada antes de gravar.
“Fly me to the moon”, de 1994. A última gravação do piano do Tom. E em companhia da voz de Frank Sinatra.



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Saudade do Brasil

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Tom Jobim sendo sempre tão brasileiro foi possivelmente um dos mais conhecidos e reconhecidos no exterior. Acredito que muitos turistas vieram e conheceram essa Terra Brasilis pela sua obra.

Pode ser exagero, mas vamos lá.
Por exemplo, um estrangeiro que chega ao Brasil pela música do Tom, chega logo pelo Samba do Avião.
Cristo Redentor. Braços abertos sobre a Guanabara. Rio de sol, de céu de mar.

Hospedado em algum hotel à beira-mar, da janela vê-se logo o Corcovado, o Redentor, que lindo!

Na praia, lógico, quererá ver as garotas de Ipanema num doce balanço a caminho do mar.
E basta o jeitinho de andar para saber que aquelas garotas não são só de Ipanema. São cariocas. E acima de tudo, brasileiras. Muitas Gabrielas, Luizas, Lígias, Ângelas, Bebel.

Se aportar aqui em fevereiro pode quem sabe assistir uma encenação da peça Orfeu da Conceição.
Estendendo por mais um mês, presenciará as águas de março fechando o verão e as promessas de vida no seu coração.

Se vier com o objetivo de conhecer o Brasil para além do litoral, pode se embrenhar nas matas, mas não de borzeguins. Como suplicou o Tom.

Poderá escutar o inhambu cantando na floresta. Também o matita perê e os sabiás.
Ver papagaio discutindo com jandaia se o homem foi feito pra voar.
E um dos bichos mais apreciados pelo Tom: o jereba. Que é urubu importante como, aliás, todo urubu. Mas entre eles, urubus, observam-se prioridades. E esse um é o que chega primeiro no olho da rês. Sem privilégios. Provador de venenos, sua prioridade é o risco. O que ele não toca é intocável. Jereba é urubu importante e por isso ganhou muitos nomes. Peba. Urubupeba. Urubu Caçador. Achador. Urubu Procurador. Urubu de Cobra. Urubu de Queimada. Camiranga. Urubu de Ministro. De cabeça Vermelha. Urubu Gameleira. Urubu Peru. Perutinga. Urubu Mestre. Cathartes Aura.

Por todas essas viagens, do litoral ao interior, poderá tirar suas “brazilian impressions”. E quando for embora, logo ficará com Saudade do Brasil.

Saudade do Brasil que é música do Tom, feita em 1974 e que pode ser ouvida no disco Urubu, de 1976.

E o “Um Tom a mais” de hoje vai com ela e com as palavras de Dori Caymmi:
“A faixa "Saudade do Brasil", do disco "Urubu", de Tom Jobim, é uma coisa que ouço sempre. Choro quando ouço, faz bem. E essa música é a mais importante da discografia dele, para mim. O início de Tom tinha sido um dos mais maravilhosos. Houve muita inveja - ele se tornara "americano". Os americanos se apossaram da música e fizeram uma coisa grotesca com a bossa nova. Depois de "Águas de Março", liberado dessa imagem, foi para os EUA e voltou com "Saudade do Brasil". Ele a fez bem brasileira, villa-lobiana, nota-se o Brasil de Ary Barroso, Pixinguinha. É para ouvir só com os ouvidos, sem o corpo”.



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Aquarela do Brasil

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A vida e obra de Tom Jobim é bastante dissipante. Você vai escutar uma música e a partir daí acaba em outra, inteiramente diferente.

Temos essa diversidade impressionante dentro da pessoa que foi Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. E em tudo que produziu durante sua vida.

Acho até que Tom Jobim é a expressão máxima de Brasil!

Não porque tenha brasileiro no nome.
Não que tenha uma sensibilidade musical tão carinhosa como a de Pixinguinha.
Nem também o dom cronista de um Machado de Assis ou Lima Barreto.
Ou então o gênio compositor de Noel Rosa e até Chico Buarque de transformar cotidianidades em canções.

Tom Jobim não tem o parnasianismo de Olavo Bilac e Catullo da Paixão Cearense. Nem também o modernismo poético de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.

O que faz do Tom a expressão máxima de Brasil é a capacidade de ter e absorver dentro de si todos esses brasis.

Não vou entrar na discussão se ele foi o maior brasileiro de todos os tempos. Mas já que falam tanto que o Brasil é um país diverso, com mistura de gente e uma imensidade de culturas.

Pois se tivesse que escolher o brasileiro com mais cara de Brasil, sem dúvida, seria o Tom. E tudo isso pelas coisas boas que encontramos nele.

Quem se interessa por esse Brasileiro de Almeida Jobim e deixa se envolver, logo percebe que ele é a influência máxima para tudo.

Quer partir para um lado erudito, porém bem brasileiro de Villa-Lobos... no Tom é possível.

Se o assunto é cantar a beleza da mulher amada... é necessariamente óbvio citar Vinicius de Moraes.

Quer explorar um lado mateiro, bem sertanejo, ao estilo Guimarães Rosa... é só escutar e escutar Matita perê. É Tom Jobim com jeito de Guimarães Rosa.

Parece trocadilho, mas o Tom tem em si todos os tons de Brasil.
Até o lado ufanista d’”os nossos bosques tem mais vidas nossas vidas mais amores” de exaltar a beleza do Brasil, como fazia tão bem Ary Barroso. Tom tem e muito. E é dessa maneira que abrimos o “Um Tom a mais”. Com a Aquarela do Brasil, de Ary Barroso pelo piano do

Tom. Retirada do disco Stone Flower de 1970.


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Abertura

O espaço é só para falar de Tom Jobim.
E quem estiver bem acompanhando ele.
Ou quem for inspiração dele.
Ou ainda quem for inspirado por ele.
Ou para finalizar, tiver alguma coisa a acrescentar sobre Antonio Carlos Jobim!


Para iniciar, a trilha de abertura do programa:

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