terça-feira, 17 de julho de 2007

Trem de Ferro

http://rapidshare.com/files/43545425/UM_TOM_A_MAIS_05.mp3.html


O “Um Tom a mais” de hoje é uma homenagem ao poeta Manuel Bandeira. E ao veículo de locomoção retratado no seguinte poema:

café com pão
café com pão
café com pão
virge maria que foi isso maquinista?
agora sim
café com pão
agora sim
voa, fumaça
corre, cerca
ai seu foguista
bota fogo
na fornalha
que eu preciso
muita força
muita força
muita força
trem de ferro
trem de ferro
oô...
foge, bicho
foge povo
passa ponte
passa poste
passa pasto
passa boi
passa boiada
passa galho
de ingazeira
debruçada
no riacho
que vontade
de cantar!
oô...
café com pão
é muito bom
quando me prendero
no canaviá
cada pé de cana
era um oficiá
oô...
menina bonita
do vestido verde
me dá tua boca
pra matá minha sede
oô...
vou m'imbora
vou m'imbora
não gosto daqui
nasci no sertão
sou de ouricuri
oô...
vou depressa
vou correndo
vou na toda
que só (levo)
pouca gente
pouca gente
pouca gente...
trem de ferro
trem de ferro

Aproveito para resgatar um texto, uma análise feita pelo professor Pasquale Cipro Neto para o poema:

“Trata-se do poema, do genial poema, do antológico poema, do memorável poema "Trem de Ferro", do Manuel Bandeira. Poema que tem por si só toda a sonoridade de um trem, de um trem de ferro, trem diretamente ligado à história do Brasil, à história do interior do Brasil, o Brasil que, por incrível que pareça, já andou de trem. Do Brasil que depois genialmente, entre aspas esse genialmente, descobriu que o trem não presta. Que o ideal é andar de ônibus, andar de caminhão; Então num país continental como este, nós carregamos mercadoria em Porto Alegre e mandamos para Fortaleza num caminhão; Lá vai o caminhão andando quatro mil quilômetros, um cidadão coitado sozinho, não é, nesse interiorzão do Brasil por estradas maravilhosas, nenhum buraco, nada, tudo maravilhoso, de primeira, lá
Vai o cidadão gastando energia, gastando pneu, gastando tudo, para carregar trinta toneladas, quando um trem sozinho, só, só um vagão, não é, leva oitenta, noventa, cem toneladas, imaginem quanto não leva um trem desses de carga; O Brasil já andou de trem, não só na base da carga, os passageiros também. O trem está diretamente ligado à história do Brasil, especialmente à história do interior do Brasil. Os nossos avós andaram de trem, os nossos pais andaram de trem e o trem foi cantado em prosa e verso”.

A música do “Um Tom a mais de hoje” é “Trem de ferro”, que Tom Jobim musicou em 1986 para o disco “Antonio Brasileiro”.



http://rapidshare.com/files/43545425/UM_TOM_A_MAIS_05.mp3.html

Um comentário:

Taís Soares disse...

adorei sua análise do poema ;]