http://rapidshare.com/files/41284140/UM_TOM_A_MAIS_03.mp3.html
“Escuta aqui gente, como é que o Sinatra vai se interessar em gravar uma música com uma letra dessas?”
O tom era de brincadeira, mas a preocupação mais do que séria. E enquanto esteve nos Estados Unidos durante a sua primeira passagem, Tom Jobim dedicou-se a fazer com que suas canções em inglês mantivessem a mesma beleza de quando cantadas em português.
A alusão ao Sinatra tornou-se realidade em 1966. Como relata Helena Jobim, na página 140 do seu livro “Um Homem Iluminado”:
“No bar Veloso, de tardinha, o telefone toca. Chamam Tom. Avisam que é um homem falando em inglês. Tom vai ao telefone. É Frank Sinatra. Explica que tinha telefonado para sua casa e de lá haviam lhe dado esse número. Convida Tom para gravar um disco, se tivesse agora disponibilidade de tempo. Emocionado, Tom responde que estava mesmo para ir a Los Angeles: ‘Seu chamado é uma ordem’. Marcam datas, despesas por conta de Sinatra”.
“Quando voltou à mesa e disse que tinha acabado de falar com Frank Sinatra, ninguém acreditou. Pensaram que era brincadeira. Depois foi um alvoroço. Nunca uma pessoa tão importante tinha ligado para lá. Um bar simples, que aos poucos se tornava famoso com a presença constante de Tom”.
Em razão disso, no dia 31 de agosto de 1966, o jornalista Eli Halfoun publicou a seguinte matéria:
NA COMPANHIA DA ESPOSA, TEREZA, LEVANDO UM VIOLÃO E “A SINFONIA DA ALVORADA”, SOBRE BRASÍLIA, VIAJOU ONTEM, DE MANHÃ, PARA OS ESTADOS UNIDOS O COMPOSITOR BRASILEIRO ANTONIO CARLOS JOBIM, A CHAMADO DE FRANK SINATRA, “O ÚNICO CAPAZ DE ME TIRAR DO MEU AMADO SOSSEGO, NO RIO, AGORA”, CONFORME DESABAFOU O AUTOR DE “GAROTA DE IPANEMA”, MOMENTOS ANTES DO EMBARQUE.
PAGANDO EM CHEQUE AS PASSAGENS, ANTONIO CARLOS JOBIM CONFESSOU QUE “FOI APANHADO DE SURPRESA” COM O TELEGRAMA DE SINATRA, SOLICITANDO SUA PRESENÇA NOS ESTADOS UNIDOS, “O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL, MAS SEM DAR DETALHES DO QUE PRETENDE”. TOM ACREDITA QUE ELE ESTEJA INTERESSADO EM SUAS MÚSICAS, MAS ISSO SÓ VAI SABER QUANDO CONVERSAR COM SINATRA.
O COMPOSITOR ADMITIU QUE “ESTAVA DESCANSANDO, SEM NENHUM PLANO DE TRABALHO PARA TÃO CEDO, NENHUMA MÚSICA OU PROJETO EM ESTUDO”, DE MODO QUE IA A ESTA VIAGEM MAIS OU MENOS ÀS CEGAS.
“É DURO ABANDONAR O RIO NESTA ÉPOCA, COM UM MEIO INVERNO E MEIA PRIMAVERA, AS PESCARIAS E O CHOPE COM OS AMIGOS, SEM PREOCUPAÇÕES. MAS NÃO POSSO DEIXAR ESTA OPORTUNIDADE FUGIR”, DISSE TOM. QUE SE ENCONTRARÁ COM SINATRA EM LOS ANGELES E NÃ PRETENDE DEMORAR-SE MAIS QUE DOIS MESES NOS ESTADOS UNIDOS: “ASSIM QUE TERMINAR ESTE NEGÓCIO VOLTO PARA ONDE ESTAVA”.
Sem tempos para ensaios fica decidido que Sinatra só cantará os clássicos. E Tom tocará violão. Em 1967 o disco “Francis Albert Sinatra and Antonio Carlos Jobim” explode nas vendas. Com o sucesso, em 1969, Sinatra gravará outro disco com Tom.
No último outubro da sua vida, Tom grava sua última música. E é para Sinatra. A introdução de “Fly me to the moon”, que iremos ouvir no “Um Tom a mais de hoje”, segundo o Tom, foi gravada sob as piores condições de sua vida. Ele fez tudo de improviso mesmo, pois não conseguia passar nada antes de gravar.
“Fly me to the moon”, de 1994. A última gravação do piano do Tom. E em companhia da voz de Frank Sinatra.
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quinta-feira, 5 de julho de 2007
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